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Mapa Autismo Brasil: entre 23,6 mil participantes, só 20,4% tiveram diagnóstico pelo SUS

Divulgado em 9 de abril de 2026 pelo Instituto Autismos, o Mapa Autismo Brasil reuniu 23.632 respostas em um levantamento online e voluntário. Entre quem respondeu, os dados mostram dependência da rede privada, cuidado concentrado nas mães e acesso frágil na vida adulta. A amostra não é probabilística.

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Levantamento
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  • 23.632 respostas online, voluntárias, entre 29 de março e 20 de julho de 2025, com participação de todos os estados, incluindo 4.604 pessoas adultas autistas. A amostra não é probabilística: descreve quem respondeu.
  • Apenas 20,4% confirmaram o diagnóstico pelo SUS; 55,2% recorreram à rede particular e 23% ao plano de saúde.
  • Só 15,5% fazem terapia pelo SUS, e 16,4% não realizam nenhuma terapia.
  • Entre pessoas autistas de 18 a 76 anos, 29,9% estão desempregadas ou sem renda.
  • 92,4% das pessoas cuidadoras que responderam são mães; entre quem estuda, 39,9% relataram não ter nenhum apoio ou recurso de acessibilidade na instituição de ensino.

Em 9 de abril de 2026, o Instituto Autismos divulgou o Mapa Autismo Brasil (MAB) — descrito como o primeiro perfil sociodemográfico nacional de pessoas autistas e o maior estudo exploratório do tema na América Latina.

Os números não são uma surpresa para quem vive a realidade, mas agora existem em escala e podem ser citados em audiência, em reunião de conselho, em pedido administrativo.

Como o levantamento foi feito

Foram 23.632 respostas a um questionário online, coletadas entre 29 de março e 20 de julho de 2025 — 115 dias de coleta, com participação de todos os estados brasileiros. A amostra reuniu 16.807 responsáveis por pessoas autistas, 4.604 pessoas adultas autistas e 2.221 participantes que se identificam simultaneamente como autistas e cuidadoras.

Uma ressalva metodológica importante e que o próprio desenho impõe: por ser um levantamento online, voluntário e não probabilístico, o MAB não é uma amostra representativa da população brasileira no sentido estatístico estrito. Ele descreve quem respondeu — e quem respondeu tende a ter acesso à internet, a redes de informação sobre autismo e a algum grau de letramento digital. Isso pode deixar de fora justamente quem tem menos acesso, e por isso os números não devem ser lidos como retrato de toda a população.

O gargalo do diagnóstico

Apenas 20,4% das pessoas participantes confirmaram o diagnóstico de TEA pelo SUS. A maioria, 55,2%, recorreu à rede particular, e 23% ao plano de saúde.

Quem faz o diagnóstico: 67% por neurologistas ou neuropediatras e 22,9% por psiquiatras.

A idade do diagnóstico revela um dado que merece leitura cuidadosa: a mediana é de 4 anos, mas a média é de 11 anos. Essa distância entre mediana e média é a assinatura estatística dos diagnósticos tardios — um grupo grande de pessoas identificadas na adolescência e na vida adulta puxando a média para cima.

O gargalo maior: a terapia

Se o acesso ao diagnóstico é desigual, o acesso ao cuidado continuado é pior. Apenas 15,5% realizam terapias pelo SUS. Mais de 60% dependem de plano de saúde ou pagamento direto do próprio bolso. E 16,4% não realizam nenhuma terapia.

Na pergunta sobre carga horária semanal, 25,9% relataram apenas 1 hora de terapia por semana, e só 1,54% alcançam 40 horas ou mais.

A vida adulta autista no Brasil

27,9% da amostra tem entre 18 e 76 anos — e é aqui que o Portal olha com mais atenção, porque é a faixa historicamente invisível nas políticas públicas.

Entre essas pessoas: 29,9% estão desempregadas ou sem renda; 21,1% são servidoras públicas; 20% têm carteira assinada (CLT).

Leitura editorial: o levantamento não investiga as causas do desemprego. Na prática clínica, as barreiras que mais aparecem são processos seletivos desenhados para um único formato de comunicação, ambientes sensorialmente hostis e ausência de adaptações razoáveis.

Quem sustenta o cuidado

Entre as pessoas cuidadoras que responderam, 96% são mães ou pais, e 92,4% são mães. Entre as pessoas responsáveis, 30,47% estão sem renda ou desempregadas. O levantamento não mede a causa, mas é plausível que parte disso venha da dedicação ao cuidado.

Na educação, 83,7% frequentam alguma instituição de ensino (52,26% em escola pública), mas 39,9% não contam com nenhum apoio ou recurso de acessibilidade.

Por que este levantamento importa

Dados agregados mudam conversas. Quando alguém precisa argumentar por que a fila do CAPS ou do CER importa, por que a negativa de um plano de saúde não é um detalhe burocrático, ou por que o diagnóstico de adultos precisa entrar na política pública, ter um número nacional é diferente de ter uma história pessoal — ainda que as duas coisas sejam necessárias.

O MAB conversa com a Lei nº 15.256/2025, que incluiu entre as diretrizes nacionais o incentivo à investigação diagnóstica do autismo em pessoas adultas e idosas. A diretriz existe; o levantamento sugere o tamanho do caminho até ela virar atendimento na ponta.

Nota: os dados apresentados são de um levantamento não probabilístico e descrevem o perfil de quem respondeu à pesquisa. Para dados populacionais sobre diagnóstico de TEA no Brasil, consulte também o Censo Demográfico 2022 do IBGE.

Referências

  1. LevantamentoInstituto Autismos (2026). Mapa Autismo Brasil (MAB) — perfil sociodemográfico nacional de pessoas autistas (coleta: 29/03/2025 a 20/07/2025; divulgação: 09/04/2026). Instituto Autismos.
  2. NotíciaAgência Brasil (2026). Autismo: pesquisa aponta baixo acesso a diagnóstico e terapias. Empresa Brasil de Comunicação (EBC), 09/04/2026.

Dr. Diego Tinoco Rodrigues

Médico psiquiatra · CRM-MG 58241 · RQE 37921

Escrito e revisado por Dr. Diego Tinoco (psiquiatra) · Como produzimos o conteúdo

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