Dupla empatia
Também conhecido como: Problema da dupla empatia · Double empathy problem
Escrito e revisado por Dr. Diego Tinoco (psiquiatra, CRM-MG 58241) · Atualizado em
Teoria segundo a qual as dificuldades de comunicação entre pessoas autistas e não autistas são mútuas, e não um déficit só da pessoa autista.
Status formal: Teoria (Milton, 2012), não diagnóstico nem critério clínico.
Por muito tempo, a dificuldade de comunicação entre pessoas autistas e não autistas foi descrita como um déficit da pessoa autista. Milton (2012) propôs outra leitura: quando duas pessoas com experiências de mundo muito diferentes se encontram, a dificuldade de se colocar no lugar do outro é dos dois lados. A pessoa não autista também tem dificuldade de ler a pessoa autista; só não costuma ser cobrada por isso.
Dez anos depois, uma revisão do conceito apontou que ele passou de ideia teórica a campo com evidência empírica crescente (Milton, Gurbuz & López, 2022). Em um experimento de transmissão de informação em cadeia, cadeias só de autistas transmitiram a informação com eficácia semelhante à de cadeias só de não autistas; a perda apareceu principalmente nas cadeias mistas (Crompton et al., 2020). A teoria explica parte das dificuldades, sem negar que prejuízos reais existem.
Na prática, a ideia muda a pergunta de "por que ele não me entende?" para "o que cada um precisa para entender o outro?". Linguagem direta, tempo para responder e combinados explícitos sobre bateria social e infodump ajudam em relações, famílias e trabalho.
Para ir além
- Guia completo do autismo em adultos — sinais, diagnóstico, apoio e direitos
- Ferramenta: Templates de Comunicação
Referências
- Milton DEM (2012). On the ontological status of autism: the 'double empathy problem'. Disability & Society, 27(6), 883–887
- Milton D, Gurbuz E, López B (2022). The 'double empathy problem': ten years on. Autism, 26(8), 1901–1903
- Crompton CJ, Ropar D, Evans-Williams CV, Flynn EG, Fletcher-Watson S (2020). Autistic peer-to-peer information transfer is highly effective. Autism, 24(7), 1704–1712