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- ATENÇÃO: na última verificação (outubro de 2026), a validade indeterminada do laudo de TEA e da CIPTEA NÃO é lei federal. São projetos em tramitação. Alguns estados, como Goiás, já têm leis próprias, que valem só na esfera estadual.
- Regra vigente: a Lei nº 13.977/2020 (Lei Romeo Mion) fixa validade de 5 anos para a CIPTEA, com revalidação pelo mesmo número.
- PL 1.414/2025 (Senado), de autoria do senador Alan Rick: aprovado na Comissão de Direitos Humanos (CDH) em 27/05/2026, com relatoria do senador Flávio Arns e Emenda nº 1-CDH. Desde 29/05/2026 aguarda designação de relatoria na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), que decide em caráter terminativo.
- PL 507/2023 (Câmara), de autoria dos deputados Yandra Moura e Felipe Becari, com substitutivo da relatora Amália Barros: aprovado pela Câmara em 10/05/2023. No Senado, foi despachado à CDH em outubro de 2025; desde 12/03/2026, a relatoria é da senadora Mara Gabrilli. Depois da CDH, ainda passa pela CAS.
- O conteúdo proposto: avaliação biopsicossocial com validade indeterminada em casos permanentes ou irreversíveis (5 anos nos reversíveis ou progressivos) e CIPTEA indeterminada para quem tiver 18 anos ou mais na emissão, e de 10 anos para menores de idade.
Poucos temas geram tanta confusão nos grupos de famílias e de pessoas autistas quanto este. A cada poucos meses volta a circular a mensagem de que "o laudo agora vale para sempre" ou que "a CIPTEA não precisa mais ser renovada". Vale um esclarecimento direto, porque a informação errada aqui custa caro — em consulta, em perícia, em benefício negado.
O ponto principal, sem rodeios
Na última verificação (outubro de 2026), a validade indeterminada do laudo de TEA e da CIPTEA não é lei federal. O que existe são projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional. Projeto aprovado em comissão não é lei; projeto aprovado em uma das casas também não é.
Atenção: alguns estados e municípios já têm leis próprias que dão validade indeterminada ao laudo de TEA para serviços e benefícios estaduais ou municipais. Goiás é um exemplo, com a Lei estadual nº 21.034/2021. Essas leis não valem para órgãos federais, como o INSS, nem mudam a validade da CIPTEA definida em lei federal. Confira a legislação do seu estado e do seu município.
A regra que vale hoje para a CIPTEA
A CIPTEA (Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista) foi criada pela Lei nº 13.977/2020 (Lei Romeo Mion), que incluiu o art. 3º-A na Lei nº 12.764/2012. O § 3º desse artigo diz que a CIPTEA tem validade de 5 anos, com dados cadastrais atualizados, e deve ser revalidada com o mesmo número. É essa a regra federal em vigor enquanto os projetos não forem aprovados.
O que está em tramitação
PL 1.414/2025 — no Senado
De autoria do senador Alan Rick (União-AC), o projeto foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos (CDH) em 27 de maio de 2026, com relatoria do senador Flávio Arns (PSB-PR) e parecer favorável com Emenda nº 1-CDH.
Em 28 de maio de 2026, encerrada a relatoria na CDH, a matéria foi remetida à Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Desde 29 de maio de 2026, aguarda a designação de relator ou relatora na CAS.
Um detalhe processual relevante: a CAS tem competência para decisão terminativa. Na prática, se aprovado ali e não houver recurso para o plenário, o texto pode seguir direto para a Câmara dos Deputados sem passar pelo plenário do Senado — o que encurtaria o caminho.
PL 507/2023 — na Câmara, depois no Senado
Há um segundo projeto, mais antigo, tratando de matéria semelhante. O PL 507/2023, de autoria dos deputados Yandra Moura (União-SE) e Felipe Becari (União-SP), foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 10 de maio de 2023, na forma de substitutivo da relatora Amália Barros (PL-MT), e remetido ao Senado.
No Senado, o projeto chegou em maio de 2023, mas só foi despachado à Comissão de Direitos Humanos (CDH) em outubro de 2025. Desde 12 de março de 2026, a relatoria está com a senadora Mara Gabrilli. Depois da CDH, o texto ainda passa pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Passados mais de três anos da aprovação na Câmara, ainda não houve votação final. É um retrato honesto de quanto tempo esse tipo de mudança leva.
O que os projetos propõem
O conteúdo, em linhas gerais, é convergente:
- Avaliação biopsicossocial: validade indeterminada nos casos de deficiência permanente ou irreversível; validade de 5 anos nos casos reversíveis ou progressivos.
- CIPTEA (Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista): validade indeterminada para quem tiver 18 anos ou mais no momento da emissão, e de 10 anos para menores de 18.
- Vedação à exigência de nova avaliação apenas para revalidar a carteira.
Por que isso importa tanto
Autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa ao longo da vida; em adultos, o diagnóstico é estável. Exigir reavaliação periódica para comprovar algo que não vai deixar de existir é uma barreira burocrática com custo real: consulta que demora meses para conseguir, deslocamento, honorários, dias de trabalho perdidos — e, com frequência, interrupção de benefícios no intervalo.
Em crianças muito pequenas, o quadro pode mudar mais. Num estudo com 213 crianças diagnosticadas entre 1 e 3 anos de idade, cerca de 37% não preenchiam mais os critérios de autismo entre os 5 e os 7 anos. Isso ajuda a entender por que os projetos preveem prazo de 10 anos para a CIPTEA de menores de idade.
A exigência de avaliação atualizada aparece com frequência em pedidos de BPC/LOAS, aposentadoria por incapacidade e outros benefícios que envolvem comprovação de impedimento de longo prazo. Validade permanente traria estabilidade documental em processos administrativos e judiciais.
O que vale hoje, na prática
Enquanto os projetos tramitam, a CIPTEA segue com validade de 5 anos, e a exigência de laudo atualizado depende do órgão ou serviço específico que solicita o documento. Recomendações práticas:
- Confirme a exigência na fonte — INSS, secretaria estadual ou municipal, plano de saúde, instituição de ensino — em vez de assumir uma regra geral que ainda não existe.
- Guarde os laudos antigos. Mesmo quando se pede documento atualizado, o histórico documenta a permanência da condição ao longo do tempo.
- Peça laudos funcionais, que descrevam barreiras e apoios necessários — e não apenas o código da CID. É o que dialoga com o modelo biopsicossocial adotado pela Lei Brasileira de Inclusão.
- Confira o procedimento de renovação da CIPTEA no órgão emissor. A emissão é feita pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios, que organizam o pedido e a revalidação.
Vamos acompanhar a tramitação na CAS e atualizar este Radar quando houver movimentação relevante.
Nota: este texto é informativo, reflete a situação de tramitação verificada na data da última atualização e não substitui orientação jurídica individualizada. A tramitação pode ser acompanhada nos portais oficiais do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.
Referências
- NotíciaSenado Federal — Agência Senado (2026). CDH aprova validade indeterminada para avaliação de deficiência permanente — PL 1.414/2025 (autoria: sen. Alan Rick; relatoria: sen. Flávio Arns; aprovado em 27/05/2026). Agência Senado.
- NotíciaCâmara dos Deputados — Agência Câmara de Notícias (2023). Câmara aprova prazo de validade indeterminado para laudo atestando autismo ou deficiência permanente — PL 507/2023 (relatoria: dep. Amália Barros; aprovado em 10/05/2023). Agência Câmara de Notícias.
- Projeto de leiSenado Federal (2026). PL 507/2023 — ficha de tramitação no Senado (despacho à CDH em 30/10/2025; relatoria da sen. Mara Gabrilli desde 12/03/2026; segue depois para a CAS). Senado Federal — Atividade Legislativa.
- NotíciaAssembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) (2021). Lei, aprovada pela Assembleia, que elimina prazo de validade do laudo médico para pessoas com autismo é sancionada (Lei estadual nº 21.034/2021). Portal da Alego.
- EstudoHarstad, E., Hanson, E., Brewster, S. J., et al. (2023). Persistence of Autism Spectrum Disorder From Early Childhood Through School Age. JAMA Pediatrics, 177(11), 1197–1205.
- LeiBrasil (2020). Lei nº 13.977, de 8 de janeiro de 2020 (Lei Romeo Mion) — institui a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). Presidência da República.
Médico psiquiatra · CRM-MG 58241 · RQE 37921
Escrito e revisado por Dr. Diego Tinoco (psiquiatra) · Como produzimos o conteúdo