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STF derruba a exclusão de autistas nível 1 da alíquota zero na compra de carro

Em 3 de agosto de 2026, o Plenário do STF julgou as ADIs 7779 e 7790 e, por unanimidade, afastou os critérios da Lei Complementar 214/2025 que restringiam a alíquota zero de IBS e CBS a pessoas com deficiência 'severa ou profunda' e a autistas de nível 2 ou 3. A Constituição, disse o Tribunal, não gradua deficiência.

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Atualizado
Tipo
Decisão judicial
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  • O STF declarou inconstitucionais, por unanimidade, os recortes por grau de deficiência e por nível de suporte do TEA na alíquota zero de IBS/CBS para compra de veículos (ADIs 7779 e 7790, relator ministro Alexandre de Moraes).
  • Caíram as expressões 'severa ou profunda', 'de nível moderado ou grave' e 'grau moderado ou grave' que funcionavam como filtro de entrada no benefício.
  • Autistas de nível 1 de suporte e pessoas com deficiência intelectual leve deixam de ser excluídas de forma automática.
  • A decisão não cria deferimento automático: laudo, reconhecimento administrativo, teto de valor e intervalo mínimo entre aquisições continuam valendo.
  • O alcance é restrito a IBS e CBS. IPI, ICMS, IPVA e IOF seguem regidos por normas próprias e não foram alterados por este julgamento.

Em 3 de agosto de 2026, o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento conjunto das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7779 e 7790, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Por unanimidade, a Corte afastou os critérios da Reforma Tributária do consumo que restringiam a alíquota zero de IBS e CBS na compra de veículos com base no grau da deficiência ou no nível de suporte do autismo.

É uma decisão que interessa diretamente a muita gente que acompanha este Radar: até aqui, o texto legal deixava de fora justamente as pessoas autistas com nível 1 de suporte — um grupo em que costumam se concentrar os diagnósticos feitos na vida adulta.

O que a lei dizia — e o que mudou

A Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a Reforma Tributária, condicionava o benefício a pessoas com deficiência mental severa ou profunda e a autistas de nível moderado ou grave. Na prática, era um filtro de entrada: quem estivesse fora dessas categorias sequer chegava a ter o pedido analisado.

O STF declarou a nulidade parcial, com redução de texto, dessas expressões. O fundamento é direto: a Constituição Federal não distingue beneficiários conforme a intensidade ou o tipo da deficiência. Nas palavras do relator, a lei complementar ultrapassou o que a Constituição permite ao excluir, de forma geral, pessoas com deficiência leve e autistas de nível 1.

As ações foram propostas pelo Instituto Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência Oceano Azul (ADI 7779) e pela Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência (ADI 7790). Na ADI 7790, houve perda parcial de objeto, porque a Lei Complementar nº 227/2026 já havia alterado parte das regras questionadas.

O que a decisão NÃO significa

Vale um cuidado importante, porque a notícia circulou de forma simplificada em várias redes: a decisão não gera direito automático. Ela remove uma exclusão prévia — não substitui a análise do caso concreto.

Continuam valendo, entre outros requisitos:

  • laudo de avaliação que comprove a condição, nos moldes exigidos pela autoridade tributária;
  • reconhecimento administrativo do benefício antes da compra;
  • limite de valor do veículo — automóvel de até R$ 200 mil, com a alíquota zero incidindo sobre a parcela de até R$ 100 mil da operação (teto ampliado pela LC nº 227/2026);
  • intervalo mínimo de 3 anos entre aquisições beneficiadas, além das regras antifraude e de alienação antecipada.

Atenção ao escopo: só IBS e CBS

Outro ponto que merece precisão. O julgamento tratou de IBS e CBS, os tributos criados pela Reforma Tributária: a CBS passa a ser cobrada a partir de 2027, e o IBS entra em transição gradual até 2033. A decisão não altera os regimes de IPI, ICMS, IPVA e IOF, que têm leis, gestores e requisitos próprios.

Se você pretende comprar um carro agora, o benefício federal mais claramente aplicável ao TEA continua sendo a isenção de IPI (Lei nº 8.989/1995), solicitada pelo SISEN, com vigência prevista até 31/12/2026. O ICMS e o IPVA seguem a legislação do seu estado.

Por que isso importa além do carro

Para a comunidade neurodivergente, o valor da decisão vai além do benefício fiscal. O STF firmou um raciocínio que tende a ser invocado em outros contextos: usar o nível de suporte como filtro de acesso a direitos é juridicamente frágil.

Os níveis de suporte do DSM-5 descrevem a intensidade do apoio necessário em um dado momento — não são uma escala de mérito nem de gravidade permanente. Uma pessoa autista de nível 1 pode ter demandas de apoio que variam bastante ao longo da vida, e o nível registrado em um laudo antigo não a define para sempre.

Nota: este texto é informativo e não substitui orientação jurídica individualizada. Para avaliar seu caso concreto, procure advogado(a), a Defensoria Pública ou o órgão fazendário competente.

Referências

  1. Decisão judicialSupremo Tribunal Federal (2026). ADI 7779 e ADI 7790 — alíquota zero de IBS e CBS na aquisição de veículos por pessoas com deficiência e com TEA (relator: min. Alexandre de Moraes; julgamento em 03/08/2026). STF — Plenário.
  2. LeiBrasil (2025). Lei Complementar nº 214, de 16 de janeiro de 2025 — institui o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo (o texto compilado no Planalto pode ainda não indicar as expressões anuladas pelo STF). Diário Oficial da União.

Dr. Diego Tinoco Rodrigues

Médico psiquiatra · CRM-MG 58241 · RQE 37921

Escrito e revisado por Dr. Diego Tinoco (psiquiatra) · Como produzimos o conteúdo

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